
Lembro daquele dia que eu te liguei no início da tarde, sussurrando pra você me tirar daquele lugar, me levar pra outro qualquer e você pacientemente falou pra eu ir te encontrar. Você percebe só pela intonação da minha voz tudo o que está acontecendo, você me entende como mar entende a ventania. Eu fui ao seu encontro melancólica, com lágrimas nos olhos, dor no coração e você ao me ver não falou nada, só me abraçou bem forte, me escondendo do mundo e eu senti seu cheiro e respirei profundamente, aquilo já me deu paz. Você pegou minha mão, pediu se estava tudo bem e eu respondi espontaneamente com a cabeça, afirmando. Nada mais foi dito, você sentiu que eu queria ficar em silêncio e me acompanhou na ausência de palavras. Você disse que iria me levar pro lugar que eu mais gosto e me levou para ver o mar em pleno friozinho de primavera; nós sentamos na areia, ficamos ouvindo o som do mar por horas, deitei no seu colo e nada mais doía. Você me beijava, passava a mão nos meus cabelos e respirava perto do meu rosto; não há cheiro melhor do que o do seu fôlego. O vento conversava com o mar, o mar entendia e formava as ondas, elas quebravam e se juntavam à ele. Eu fechei os olhos e esqueci dos problemas, aproveitei aquele momento que iria ser único, mais um dos momentos únicos ao seu lado. As lágrimas escorreram e naquele momento agradeci a Deus por estar viva e ao seu lado, ouvindo o balanço do mar. Tudo fez sentido, eu entendi que a razão da minha existência é você e pedi aos céus para que nosso amor fosse como as ondas e o mar.
Que como uma onda após a arrebentação se junta ao mar, que após a tristeza nossos corpos se unam e sejam um só para todo o sempre.